Categorias
Post legal

A última vez

Você pode até saber quando vai ser a última apresentação de uma banda que você gosta, a última chance de assistir a um espetáculo que vai sair de cartaz, o último dia para enviar sua declaração de imposto de renda, o último dia das suas férias, a última vez que você vai ter 18 anos ou as últimas horas para poder participar de uma promoção, mas é possível – e muito provável – que você nunca saiba quando vai ser a última vez que você vai ver um amigo, vai abraçar quem você ama ou vai ter a chance de ver o sol se pôr.

se eu soubesse

Na maioria das vezes você não receberá aviso prévio, não terá a chance de se despedir das pessoas, dos lugares, nem mesmo das fases da sua vida. Embora tudo seja cíclico, nem sempre dá para enxergar com clareza quando um ciclo está se fechando e outro se iniciando.

Mas e se você fosse avisado que será a última vez? A sua última chance? O que você faria? Se a resposta for: “exatamente a mesma coisa”, você tá no caminho e, acredite, você é exceção. Agora, se você disser que aproveitaria para fazer alguma coisa diferente, você é como todo mundo e talvez seja um bom momento para começar a pensar sobre o que anda fazendo com a sua vida, com o seu tempo e, acima de tudo, com os seus afetos.

A vida não costuma alertar quando alguma coisa vai acontecer ou terminar. Não é como se ela tivesse um sensor que apita quando o combustível está acabando, se fosse assim, se chamaria carro e não vida.

Algumas vezes você pode até receber pistas ou sinais, é o que chamamos de intuição. Mas, na maioria esmagadora das vezes, não se iluda, isso não vai acontecer. E quando/se acontecer, você estará distraído ou ocupado demais para perceber.

Sua última chance de ver, ouvir, falar, tocar ou fazer qualquer coisa não será como um anúncio de geladeira pela metade do preço nas Casas Bahia, com letras garrafais dizendo: NÃO PERCA, ÚLTIMA OPORTUNIDADE!

Acho que a vida funciona assim porque, em parte, ela faz questão de manter a espontaneidade e isso nos obriga, diretamente, a sermos espontâneos e, no fundo, isso até que é bom. Se houvesse uma programação para tudo, a gente também deixaria de se surpreender e, acima de tudo, de aprender. Por mais que algumas lições sejam profundamente dolorosas, a verdade é que a gente costuma aprender bem mais pela dor do que pelo amor.

Siga Roberta Simoni

© obvious: http://lounge.obviousmag.org/certa_relevancia/2015/05/a-ultima-vez-1.html#ixzz4Cz984RA2
Follow us: @obvious on Twitter | obviousmagazine on Facebook