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Autoconsciência

Mesmo quando não estamos usando a nossa percepção de forma consciente, somos muito observadores ao que está ao nosso redor, analisamos as atitudes daqueles que convivem conosco, e criamos, a partir daí, os nossos conceitos e julgamentos sobre as pessoas. Facilmente encontramos adjetivos para descrever as pessoas, quer seja de forma negativa ou positiva, João é egoísta, Laura é simpática, Roberta é mentirosa, Paulo é chato. Costumamos encaixar as pessoas em certas definições de acordo com as ações que observamos delas. É a forma como as pessoas reagem às situações do dia a dia que nos dá base para estabelecermos essas conexões com determinadas características.

Mas e por que não fazemos as mesmas reflexões a cerca de nós mesmos?  Mark Manson escreveu: “Autoconsciência é a habilidade de pensar sobre as coisas que você pensa. É a capacidade de ter sentimentos sobre seus sentimentos. Ter opiniões sobre as suas opiniões.” Isso quer dizer que, quando estamos reagindo a uma atitude de outra pessoa, também somos influenciados pelo julgamento que já fizemos anteriormente, e raras às vezes analisamos as nossas próprias atitudes. Dizer que alguém é chato, por exemplo, e consequentemente ficar de cara feia toda que vez que essa pessoa se aproximar, responder sem paciência, ou falar mal da pessoa para os demais, mostra uma falta de autoconsciência das nossas próprias ações. Com esse tipo de atitude não só geramos percepções ruins acerca de nós mesmos como seguimos alimentando um ciclo negativo sem a intenção de fazê-lo.

A autoconsciência funciona como uma crítica construtiva para nós mesmos. Quando conseguimos nos ausentar de certas situações e olhar com mais atenção para os nossos pensamentos, passamos a perceber quando somos preconceituosos, injustos, quando misturamos emoções nas decisões que deveriam ser racionais. Os pensamentos, mesmo quando inconscientes, são os propulsores das nossas ações e por isso a importância de observá-los e quebrarmos os nossos próprios padrões buscando a nossa evolução.

Gosto do conceito que aprendi com uma ex-terapeuta de que todos nós temos gatilhos, como uma pistola, estamos sempre “engatilhados” e algumas ações externas nos fazem disparar automaticamente, despertando as emoções mais negativas, de raiva, de culpa, de inveja, de medo. Nessas situações, nosso comportamento pode ser extremo, exaltado, magoado, e pode ferir outras pessoas.  Usando a autoconsciência conseguimos identificar em nós mesmos quais são as atitudes dos outros que disparam o nosso gatilho. Dessa forma, e através da nossa inteligência emocional, conseguimos, aos poucos, perceber as emoções aflorando e nos policiamos para não reagir sempre da mesma maneira,  procurando quebrar esse ciclo negativo com relação à tantas coisas que nos cercam.

Importante perceber que nós também somos responsáveis por ativar o gatilho das outras pessoas e mudando as nossas atitudes podemos despertar nos outros novas emoções e consequentemente reações diferentes das usuais. Se ampliarmos essa lógica, vemos que toda a mudança começa realmente a partir de nós mesmos.

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Melhor do que se desgastar tentando convencer o outro das suas convicções, ou ficando à merce de influências externas, é tentar dedicar um pouco da sua atenção para olhar para dentro de si. Apenas observe, procure identificar quando surgem os seus pensamentos mais negativos e o que dispara seus gatilhos, e mude de dentro para fora. Se você quer fazer diferente, comece sendo mais autoconsciente e menos reativo, desperte sua empatia pelos outros, experimente sobretudo nas situações que mais lhe afligem tentar mudar a sua postura diante do ocorrido. Nós não temos o poder de mudar os outros, mas temos o poder de mudar como reagimos diante das situações tentando preservar a nossa calma, o nosso humor e a nossa paz de espírito.

 

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Por: Patrícia Born  – Colunista The Secretpefil

Gaúcha, morando no Rio por opção. Escreve porque já fala demais sozinha.

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Acredita que a maior experiência que o homem pode ter é sair pelo mundo para ver tudo

com os seus próprios olhos. Para as dores da alma: um ombro amigo e um banho de mar.