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Corrida de rua aumenta durante pandemia e especialista em joelho fala sobre os principais cuidados

A situação da pandemia pelo COVID-19 está em constante mudança e varia de local para local, de forma que a prática de corrida de rua não deve ser estimulada em locais onde a prática vá contra as orientações oficiais. Ainda assim, a medida em que ocorre a flexibilização das medidas de isolamento social, a prática de corrida de rua – com os devidos cuidados – tem se mostrado uma opção mais segura do que os exercícios em ambientes fechados ou os esportes coletivos, como o futebol.

A realização de exercícios em ambientes fechados envolve contato frequente com equipamentos que são compartilhados entre os diversos usuários do local. A desinfecção com produtos específicos (não apenas a limpeza) se mostra bonita no papel, mas difícil de se implementar na prática.

O distanciamento também não é fácil. Não existem informações precisas de qual a distância necessária entre os praticantes para uma proteção adequada, mas sabe-se que é bem maior do que os tão falados 2 metros, quando na prática de exercícios. Dependendo da atividade, podem ser necessários mais de 10 metros. Mais uma vez, um protocolo difícil de implementar na prática.

A corrida de rua, quando praticada em locais e horários onde o contato com outras pessoas será mínimo, parece uma opção muito mais plausível. Obviamente que não estamos falando de correr no calçadão da praia às seis horas da tarde.

Cuidados com a prática da corrida de rua

Os cuidados com a prática de corrida de rua podem ser divididos naqueles relacionados com a prevenção da infecção por COVID-19 (uso de máscara, distanciamento social, não correr na presença de sintomas respiratórios) e aqueles relacionado a uma corrida saudável e sem lesões (orientação profissional adequada, cargas progressivas de treino, descanso adequado entre os treinos).

1 – O uso de máscaras

A maior parte das transmissões do Covid-19 acontecem a partir de pessoas sem qualquer tipo de queixa, daí a importância do uso de máscaras.

As máscaras contêm a propagação do vírus a partir de pessoas doentes e impedem a inalação do vírus por pessoas saudáveis. O grau em que elas alcançam isso ainda é uma dúvida, mas uma coisa é certa: elas só são realmente eficazes se usadas da forma correta, e a maioria das pessoas não é treinada para usá-las.

Sempre use máscaras secas: as máscaras se tornam inefetivas quando molhadas. Manter a máscara seca é possível durante atividades leves ou moderadas, realizadas por pessoas que querem apenas movimentar o corpo e se manterem ativas, mas não na prática de exercícios intensos, nas quais a máscara logo fica molhada pelo suor.

Se você for realizar atividades físicas em academias ou ao ar livre, lembre-se, portanto, de levar máscaras reservas para substituição, caso se molhem pelo suor.

2 – O distanciamento necessário

As recomendações de dois metros de distanciamento não valem durante a prática de atividades físicas, já que o deslocamento e a respiração aumentam a distância com que o vírus é capaz de se propagar.

Não existem estudos de qualidade que indiquem a distância segura durante o exercício. Estudos preliminares sugerem distanciamento de 5 metros ao caminhar e até 10 metros ao correr, mas estas orientações têm sido revistas constantemente. Quanto maior a velocidade e o esforço respiratório com a corrida, maior o distanciamento necessário. Ventos e outras condições climáticas também podem interferir na distância a qual o vírus é capaz de se propagar.

3. Não correr na presença de sintomas respiratórios

O coronavírus continua circulando e a infecção deve sempre ser considerada na presença de sintomas respiratórios. A prática de corrida nestas condições envolve riscos tanto para o corredor como para outras pessoas próximas.

4. Orientação profissional adequada

A corrida é uma atividade de alto impacto e que provoca sobrecarga significativa nas articulações quando a musculatura não tem o preparo necessário e a técnica de corrida é ruim. O afastamento esportivo prolongado exige um ajuste nos treinos realizados até o início da pandemia. No caso de pessoas sem experiência prévia com a corrida, esta orientação é ainda mais importante.

5. Carga progressiva de treino

Retomar os treinos de corrida como se nada tivesse acontecido, após três meses em casa, aumenta o risco para algumas das lesões mais frequentemente relacionadas à prática de corrida de rua, principalmente as fraturas por estresse. Uma recomendação mais geral pode ser retornar com aproximadamente 50% do volume de treino de antes da pandemia, e aumentar não mais do que 10% por semana, mas estas orientações podem ser ajustadas após uma avaliação individualizada.

6. Descanso adequado entre os treinos

Correr atrás do prejuízo após todo este tempo parado não é uma boa estratégia. O desgaste do treino tende a ser maior, de forma que o tempo de recuperação entre dois treinos consecutivos também precisa ser maior.