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Dramas existenciais

O assunto das imigrações é um dos principais na sociedade contemporânea. Poucos filmes, porém, tratam a questão com o distanciamento e a sobriedade necessárias como “Inspire, Expire”. A produção islandesa mescla dois personagens que aparentemente não têm nada em comum, mas se cruzam em situações banais e tensas.

Isold Uggadottir dirige um filme em que uma trabalhadora islandesa, sem conseguir pagar o aluguel, passa a morar no carro com uma criança. Consegue trabalho temporário como fiscal de imigração e é determinante em barrar a entrada de uma imigrante de Guiné-Bissau.

As duas histórias se separam, com a mulher europeia tentando melhorar de vida, e a africana sendo presa e, depois, passando a morar num albergue. O reencontro se dá quando a segunda ajuda a encontrar o gato do filho da primeira. E os poucos diálogos entre as duas revelam narrativas de dor e preconceito.

A africana, homossexual, foi obrigada a deixar a sua filha para trás no processo frustrado de entrada na Islândia e teve sua companheira morta a pauladas em seu país de origem. A islandesa, também homossexual, vive uma existência sem perspectivas de melhoria para dar uma vida melhor ao filho. A cena final, embora as una enquanto mulheres e seres humanos, as separa fisicamente, talvez para sempre. Um gesto solidário, mas ilegal, pode dar a ambas novos conceitos de vida.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.