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Não seja a próxima vítima

Sempre pensei que algumas coisas que passamos na vida são muito difíceis de aceitar, principalmente aquelas em que parece que não podemos culpar ninguém além da própria vida, do destino, ou alguma força desconhecida que não podemos tocar e muito menos reclamar o ocorrido. É assim quando uma mãe perde um filho ainda jovem, quando um amigo que leva uma vida saudável descobre que está com câncer, quando uma pessoa morre por uma bala perdida ou atravessando na faixa de segurança na frente de casa. São incidentes e situações em que a vida parece estar nos testando e ninguém tem uma preparação emocional prévia para enfrentar situações como essa.

Mas, e quando as situações difíceis da vida são causadas especificamente por alguém do seu convívio, como lidar? Quando um colega de trabalho tenta por todos os meios prejudicar você, roubar a sua promoção tão esperada ou ganhar um cargo de chefia às suas custas? Quando o seu parceiro de uma vida toda, decidiu que como se não bastasse a separação, ainda quer tirar de você além de todos os bens materiais, sua integridade, sua paciência e sua saúde emocional? Quando alguém que você achou ser seu amigo passa a te envolver em fofocas, intrigas, e tenta dissuadir as pessoas sobre você?

Parece ser mais simples quando temos alguém para culpar por nossos problemas ou por uma situação desconfortável que estamos passando na vida, mas não é. Porque a pergunta continua recaindo sobre nós, quando pensamos, “mas o que eu fiz para merecer isso?”, ou “o que eu fiz para esta pessoa?”. O ser humano é egocêntrico, e quer de alguma forma achar a explicação para tudo que acontece com ele, advinha onde? Em si mesmo. Pois podem tirar seus cavalinhos da chuva ou o seu umbigo do meio do caminho, nem tudo que acontece conosco depende diretamente da gente, e às vezes isso pode ser ainda mais difícil de lidar. Existe um limite de influência, seu, das outras pessoas e de tudo o que nos cerca nas nossas atitudes; refletir sobre possíveis atos falhos, provocações ou ações que tenhamos feito para desencadear algo é sempre válido, mas achar que essas respostas serão óbvias, evidentes ou a razão da atitude da outra pessoa, é uma ingenuidade. Não sabemos como funciona o mecanismo de outra pessoa, nem o de defesa, nem o de ataque.  Não existe um único senso de certo ou errado, apesar do que ensinaram a você sobre moral quando você era jovem. Na vida real, existem situações tão complexas como as tramas de novelas, por mais que ninguém espere passar por isso.

Esqueça a velha história de que você deve ter feito algo para merecer isso ou aquilo, se isente da responsabilidade quando as pessoas à sua volta forem simplesmente cruéis, egoístas, ou respondam ao sofrimento em forma de ataque. Se você não fez ninguém sofrer com esse propósito, também não sofra com atitudes de pessoas que não merecem sua consideração. É difícil se isentar, mas é mais difícil ainda tentar achar lógica aonde não há.

Nem tudo é uma reação direta às suas atitudes, se fosse assim, o mundo seria um lugar justo e pessoas boas não precisariam enfrentar problemas sérios na vida. Não se transforme em vítima, nem da situação, nem da vida, nem de alguém que pode não gostar de você. Aceite que você não precisa que todas as pessoas gostem de você, nem para ser feliz, nem para seguir em frente. Prudência é uma virtude, você pode dar um passo atrás, se necessário, antes de estar pronto para avançar. E lembre-se que, perder muito tempo do dia remoendo os problemas, não vai acabar com os problemas, mas pode acabar com as alegrias do dia.

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Por: Patrícia Born  – Colunista The Secretpefil

Gaúcha, morando no Rio por opção. Escreve porque já fala demais sozinha.

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Acredita que a maior experiência que o homem pode ter é sair pelo mundo para ver tudo

com os seus próprios olhos. Para as dores da alma: um ombro amigo e um banho de mar.