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O inacreditável lado bom das decepções

A decepção é, de fato, um dos mais terríveis sentimentos que podem nos acometer. Dói pra caramba. Dói mais que dedinho na quina da mesa, morder a língua ou ver que o seu restaurante preferido fechou. Dói tanto que é difícil aturar quando alguém diz que existe um lado bom nisso – então, se você quer mandar às favas todo esse pensamento positivo e amargar as suas decepções, pode parar aqui mesmo nesta linha, sem cerimônias. Eu juro que te entendo.
Mas é que poucas coisas na vida não têm um lado bacana que pode ser aproveitado. E a decepção é daquelas coisas que doem muito, mas ensinam na mesma proporção.

Quando a gente se decepciona é como se alguém tivesse morrido um pouco nas nossas vidas: alguém que pensávamos existir nos mostra que, de fato, não existira – fora, talvez, uma criação de nossas fantasias mais generosas. E, como em toda morte, as decepções deixam um luto quase desesperador.

Mas a verdade é que as decepções são verdadeiras mocinhas – se é que na vida existem mocinhos e vilões – embora pareçam tão doídas. As decepções nos matam as falsas expectativas, nos salvam de relações potencialmente destrutivas, nos abrem os olhos para a verdade e só deixam que permaneça o que for de fato importante.

Quando você se decepciona com alguém, a vida está generosamente te mostrando quem merece o seu amor e a sua confiança – quem merece, enfim, permanecer na sua vida. E, por mais que doa, quando uma decepção nos arranca alguém até então importante, isso – como toda dor nesta vida – também passa; e fica a lição, o aprendizado, a verdade nua e crua de cada um. Fica a oportunidade de riscar as pessoas certas da nossa lista de bom sentimentos e seguir de olhos bem abertos e coração tranquilo.

Fugir das decepções – leia-se: buscar enganar-se quando, nitidamente, alguém não é o que parecia ser – é se privar da possibilidade de enxergar a verdade libertadora; é adiar a dor, sofrer à prestação, acovardar-se diante do que precisa, de fato, ser feito.

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Não vire as costas às verdades que as decepções podem te contar: siga com ela, de mãos dadas; pague o preço e ouça seus conselhos, porque as feridas que ela faz cicatrizam mais rápido do que se imagina; e o que fica é o crescimento, o sofrimento salutar, a verdade, a evolução.

Não há nada mais saudável do que conhecer – e aceitar – cada pessoa como ela é. E não há nada que ajude mais a conhecer o outro do que decepcionar-se.

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Por: Nathali Macedo – Via: Superela