Sobre cães e homens

Se você está decepcionado com a raça humana, acreditando que há poucas esperanças de construir uma sociedade mais justa, menos violenta e preconceituosa, talvez deva assistir “A caminho de casa”, filme de Charles Marins Smith, que conta a devoção de uma cadela, Bella, pelo seu dono.

A ação se passa quando ela, criada por um gato, numa área abandonada, após ser adotada por um estudante de Medicina Veterinária, é capturada pelo controle de animais, que não permite pitbulls em Denver. Começa então uma jornada para a casa de amigos no Novo México, de onde ela foge para reencontrar seu dono.

O ponto alto da história está na devoção do animal nessa jornada, assim como no fato de o filme ser narrado pela cadela. Isso dá um inegável charme e cria algumas situações interessantes pela dificuldade canina de entender a lógica, ou falta dela, das relações humanas, que envolvem leis, códigos, vaidades e vinganças.

Bella é obrigada, desde o nascimento, a conviver com diversos e estranhos atributos humanos, muitos deles envolvendo sentimentos pouco nobres. Mas também há os veteranos de diversas guerras, que encontram no contato com os animais uma conexão com o mundo, e um mendigo, vivido lindamente por Edward James Olmos. Enfim, existe esperança, sim, cabe a cada um de nós, humanos, encontrá-la.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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