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Saúde

Você sofre da Síndrome da Bolacha Maria ou é uma Saudável Rosquinha?

Sim, eu inventei esses nomes! Não existe oficialmente essa síndrome ou qualquer tipo de distúrbio com essa nomenclatura. Mas tenho usado essa metáfora com alguns pacientes e amigos para explicar o que acontece quando a gente coloca toda a energia de amor no outro, esquece de si e termina ocupando o lugar errado!

Acontece que muitas pessoas, tanto homens quanto mulheres, quando se vêem repetidas vezes sofrendo por amores não correspondidos ou crises, e até um certo desprezo em seus relacionamentos, começam a se questionar o que têm feito de errado.

E, não raramente, em conversas mais aprofundadas, percebo que o problema está no excesso. Excesso de expectativas, excesso de cobranças, excesso de carência, excesso de medo de perder, medo de ficar só, medo de não ser correspondido… e por aí vai.

Na metáfora, o que quero dizer é que todos nós nascemos com um furo e precisamos mantê-lo íntegro e saudável ao longo da vida. O furo é a falta. A falta é o que desperta em nós o desejo. E o desejo nos impulsiona à busca, à arte da conquista.

Não só conquista de alguém, mas de qualquer objetivo. Seja profissional, financeiro, uma viagem, um filho, um estilo de vida. Qualquer coisa.

Mas quem deixa seu furo ser tapado por si mesmo ou pelo outro, vai perdendo o contato criativo com o sentimento de “falta”. E sem falta, não há desejo, não há busca, não há ação para a conquista.

Vou explicar melhor! De um modo muito simples e acessível, poderia dizer que quando uma pessoa entra em depressão, é porque deixou seu “furo” ser sufocado por sua própria tristeza.

Sem conseguir focar no que acontece de bom ao seu redor e seguir adiante, aprendendo com as dificuldades, essa pessoa se prende à dor, deixa-se sufocar por ela e perde o desejo pela vida.

Nos relacionamentos, se você tem sido aquele que não dá espaço, que se faz presente o tempo todo, seja em mensagens, gestos, presentes ou declarações, seja em corpo mesmo, fazendo tudo o que o outro quer e, especialmente, até o que ele nem sabe se quer, nem pediu. então você certamente vai tapar o “furo” do seu par.

Num primeiro momento, isso pode parecer muito bom. E talvez seja mesmo durante algum tempo. Afinal, tudo o que queremos é preencher nossas faltas, satisfazer nossos desejos. Porém, o excesso sufoca, rouba o espaço vital que nos mantém em movimento.

Mas é importante lembrar que há quem sufoca ou se deixa sufocar pelo outro, roubando ou deixando roubar esse espaço através de insultos, ofensas, humilhações, inconstâncias, instabilidades, enfim, pelo perigoso e enlouquecedor movimento do “morde e assopra”. Nesse caso, o estrago pode ser ainda maior.

De todo modo, de onde se retira todo o desejo, o brilho da vida se apaga. O apetite acaba. O amor murcha.

Para não cair nessa armadilha, não se trata de fazer joguinho ou usar estratégias. Trata-se de você ocupar o lugar certo. O seu lugar. Trata-se de acender as suas próprias luzes internas e oferecer ao outro o brilho que é seu.

Porque quando você se ocupa, o tempo todo, em manter acesas as luzes do outro, rouba dele toda a graça do querer. Do impulso de desejar você! Do gostoso movimento de buscar o seu brilho para iluminar ainda mais a vida dele!

E quem alimenta essa dinâmica de sufocamento termina transformando o outro e a si mesmo numa Bolacha Maria, sem furo, sem falta, sem desejo. E também se transforma nisso por estar preenchendo o espaço errado.

Mas quando você se lembra de ser uma saudável Rosquinha, cuidando para manter íntegro o seu espaço interno e também o espaço do outro, então haverá desejo aceso, busca ativa, luzes acesas em ambas as individualidades.

E é somente neste espaço nutrido de respeito e confiança que crescem os amores profundos, duradouros e realmente gratificantes!

STUM